A carta aos exilados

Antes de ser um versículo, Jeremias 29:11 foi correspondência: uma carta levada de Jerusalém à Babilônia, endereçada a uma comunidade deportada, respondendo a outras cartas que prometiam o que Deus não havia prometido.

Jeremias 29:4–7 · Nova Versão Internacional Assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados, que deportei de Jerusalém para a Babilônia: “Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam dos seus frutos. Casem‑se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar‑se com os seus filhos e deem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem‑se, não diminuam. Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”.

Uma guerra de cartas

Matthew Henry lê Jeremias 29 como uma guerra de cartas. Alguns dos falsos profetas haviam sido levados à Babilônia com os cativos, enquanto Jeremias permanece em sua própria terra, e de lá os dois lados escreveram: os profetas dos exilados prometendo um retorno rápido; Jeremias — numa carta que a edição de Henry encabeça com o ano 596 a.C. — dizendo aos deportados que construíssem, plantassem e orassem pela nova cidade.a Henry resume com simplicidade o objetivo de Jeremias nessa carta: ele se esforça por reconciliá-los com o seu cativeiro.

Quem recebeu a carta

Os destinatários eram a primeira leva do exílio: a corte, os artesãos e os ferreiros levados de Jerusalém com o rei Joaquim, na deportação convencionalmente datada de 597 a.C. — gente qualificada, arrancada de uma cidade que ainda estava de pé. É essa a ironia histórica do capítulo: os que ficaram em Jerusalém pareciam os poupados, e a carta trata os levados como o grupo sobre o qual o futuro seria construído.b

O conselho escandaloso

As ordens da carta eram concretas e, para os ouvidos da época, escandalosas: casas, jardins, casamentos, filhos — e oração pela paz da cidade que os havia capturado. Nenhum programa de resistência, nenhuma promessa de retorno breve. Profetas populares mantinham o povo de malas prontas, alimentando-o, na expressão de Henry, com esperanças de uma libertação rápida; a carta manda desfazer as malas porque o Deus que fixou o prazo é confiável dentro dele.

Jeremias 29:12–14 · Nova Versão Internacional Então, vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês”, declara o Senhor, “e os trarei de volta do cativeiro. Eu os reunirei de todas as nações e de todos os lugares para onde os dispersei e os trarei de volta para o lugar de onde os deportei”, declara o Senhor.

Endereçada a uma comunidade

Os verbos da promessa, no hebraico e nas traduções, estão no plural: é a comunidade — não um indivíduo com planos de carreira — que receberá o futuro e a esperança, chamará, orará, buscará e encontrará. Isso não torna o versículo 11 menor; torna-o mais sólido. Uma promessa feita a um povo atravessa gerações que nenhuma biografia individual atravessaria.

A cláusula do prazo, citada quase nunca, está estudada em os setenta anos; o exame do próprio versículo, em Jeremias 29:11.