Uma guerra de cartas
Matthew Henry lê Jeremias 29 como uma guerra de cartas. Alguns dos falsos profetas haviam
sido levados à Babilônia com os cativos, enquanto Jeremias permanece em sua própria
terra
, e de lá os dois lados escreveram: os profetas dos exilados prometendo um retorno
rápido; Jeremias — numa carta que a edição de Henry encabeça com o ano 596 a.C. — dizendo aos
deportados que construíssem, plantassem e orassem pela nova cidade.a Henry resume com simplicidade o objetivo de Jeremias nessa carta:
ele se esforça por reconciliá-los com o seu cativeiro
.
Quem recebeu a carta
Os destinatários eram a primeira leva do exílio: a corte, os artesãos e os ferreiros levados de Jerusalém com o rei Joaquim, na deportação convencionalmente datada de 597 a.C. — gente qualificada, arrancada de uma cidade que ainda estava de pé. É essa a ironia histórica do capítulo: os que ficaram em Jerusalém pareciam os poupados, e a carta trata os levados como o grupo sobre o qual o futuro seria construído.b
O conselho escandaloso
As ordens da carta eram concretas e, para os ouvidos da época, escandalosas: casas, jardins,
casamentos, filhos — e oração pela paz da cidade que os havia capturado. Nenhum programa de
resistência, nenhuma promessa de retorno breve. Profetas populares mantinham o povo de malas
prontas, alimentando-o, na expressão de Henry, com esperanças de uma libertação rápida
; a
carta manda desfazer as malas porque o Deus que fixou o prazo é confiável dentro dele.
Endereçada a uma comunidade
Os verbos da promessa, no hebraico e nas traduções, estão no plural: é a comunidade — não um indivíduo com planos de carreira — que receberá o futuro e a esperança, chamará, orará, buscará e encontrará. Isso não torna o versículo 11 menor; torna-o mais sólido. Uma promessa feita a um povo atravessa gerações que nenhuma biografia individual atravessaria.
A cláusula do prazo, citada quase nunca, está estudada em os setenta anos; o exame do próprio versículo, em Jeremias 29:11.